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Pecuária Leiteira: Quais os principais desafios da Estação de Chuvas para o pecuarista de Leite e como superá-los?

2020-01-10




A estação das chuvas traz diversos desafios para a Pecuária Leiteira. A produção de volumoso merece atenção especial nesse período, tanto ao fator “conservação de forragem”, quanto ao outro fator de máximo aproveitamento do pasto da fazenda. As altas temperaturas correlacionadas com a alta umidade desse período, favorecem a ocorrência do estresse térmico nos animais e desafios sanitários nas fazendas, o que pode prejudicar a produção e a reprodução do rebanho. A seguir, falaremos um pouco mais sobre cada um destes pontos.



Nutrição: Produção e conservação de forragem como fatores fundamentais para a produtividade no período.


Com a chegada das chuvas, é hora de produzir forragem para armazenamento, pensando em garantir a alimentação do rebanho durante o ano todo. Porém, nesse momento, pensando na evolução de rebanho do próximo ano, se deve metrificar a demanda de consumo dos animais e projetar a quantidade de volumoso necessário que atende tal demanda, vale ressaltar que a quantidade é tão importante quanto a qualidade da forragem a ser conservada.


O resultado do planejamento mostrado no parágrafo acima será mostrado não somente em produção, mas também em custos, que possivelmente serão menores com uma roça de qualidade, devido a uma menor inclusão de alimentos concentrados. Para entender melhor tal fator, podemos exemplificar de tal modo que, um animal de tal categoria, e de tal lote, precisa de um balanço e quantidade de nutrientes para se manter, reproduzir e produzir leite, para tanto se a forragem produzida no verão (silagem de milho por exemplo) atende mais do que o normal de nutrientes, inclui-se em menor quantidade alguns alimentos concentrados (principalmente os energéticos) e assim diminuindo custos.


Para evitar perdas e manter a conservação de alimentos durante o período das chuvas é fundamental que todo o processo de armazenamento e conservação seja efetivamente monitorado. Qualquer falha desde o momento da implantação da cultura até o processo de enchimento do silo, compactação ou vedação para posterior fermentação da silagem, pode comprometer a qualidade do volumoso, acarretando em perdas para o produtor. Deve- se respeitar os protocolos corretos de vedação, enchimento e compactação, independente se o silo for trincheira ou cobertura.  


Estresse térmico – Um grande desafio para a pecuária leiteira


O estresse térmico pelo calor é causado pela alta temperatura, aumenta com a alta umidade e o alto índice de radiação solar. Ocorre quando a temperatura corporal das vacas ultrapassam a marca de 39,1 °C. A partir desse valor o animal já começa a usar parte de sua energia que poderia ser destinada tanto para produção quanto para reprodução, e começa a utilizar para manutenção da temperatura corporal (a chamada homeostase), o estresse térmico pode ser medido de diversas formas. A forma mais comum ocorre através do Índice de Temperatura e Umidade, que é calculado a partir da temperatura e da umidade relativa do ar.  Porém, podemos afirmar, baseado em dados e pesquisas, que a forma mais eficaz é a medição da temperatura retal do animal. A seguir as consequências do EE:



Fonte: Adaptado de Polsky e Keyserlingk (2017)


O primeiro e grande impacto do animal em estresse térmico é a diminuição no consumo de matéria seca, posteriormente vem os distúrbios, principalmente relacionados aos hormônios, com a concentração de adrenocorticais pelo nível de cortisol plasmático (hormônio do estresse).


Quando as vacas apresentam temperatura retal acima de 40°C, devido a uma exposição a temperaturas ambientes de 32°C por até 72hs após uma inseminação, os índices de concepção caem muito. Já em ambientes com temperaturas de 21°C, onde a temperatura retal é de 38,5°C, os índices de concepção permanecem inalterados.


Para descobrir se suas vacas estão sofrendo estresse térmico, separa-se uma amostragem de aproximadamente dez vacas em lactação, ao acaso por exemplo, para aferir a temperatura retal de cada uma delas. Durante este processo, é importante se ter em mente que, de forma geral, a temperatura retal dos bovinos apresenta um pico elevado no início da tarde e valores mínimos no início da manhã, dentro da faixa da normalidade, entre 38°C e 39°C. Animais de alta produção, demandam mais energia para produção de leite e assim são mais propensos ao estresse térmico, por tanto, são os animais que devem ser medidos estresse térmico quando em uma avaliação na propriedade.


Na reprodução, o estresse térmico causa uma diminuição no estro e nas taxas de concepção em até 30%. Segundo estudos um dos argumentos que intensificam este problema é a redução do consumo de matéria seca e a instabilidade hormonal. 


Simples observações e o conhecimento do seu rebanho podem aferir melhor o estresse térmico do que qualquer tecnologia, como a verificação de ruminação, a porcentagem de animais em pé sem ruminar, deitados e em ócio. Além da contagem de batimentos cardíacos (maior que 60 = estresse), batimentos respiratórios (maior que 40 = estresse) e animais ofegantes/salivando.


Influência de recursos para controle do estresse térmico:


Para prevenir o estresse térmico, a melhor estratégia é o controle do ambiente (sistemas de ventilação e aspersão). Diversos estudos mostram resultados positivos quando em ventilação com mais de 3 metros por segundo, aspersão com mais de 1,2 litros por metro quadrado de área, além de sombra, e tempo de 45 minutos na sala de espera. A seguir mais alternativas para controle:


• Projete um local de descanso com sombras naturais ou artificiais. A sombra natural, além de ser uma opção mais barata ao produtor, traz vantagens ambientais e reduz o ganho de calor pelo animal;


• O melhoramento nutricional é outro fator que pode amenizar os impactos do estresse térmico, como uma dieta fria onde os nutrientes vão direto para as glândulas produtoras de leite, um exemplo disso é o uso de alimentos protegidos, suplementação mineral;


• Com a excessiva sudorese das vacas, a perda de sódio e potássio é grande, e assim o balanceamento de eletrólitos na dieta e fundamental para a manutenção da saúde do animal. Com o intuito de melhorar o ambiente ruminal alguns estudos sugerem o uso de leveduras na dieta, podendo diminuir em até 3% o custo da ração pela melhoria da eficiência alimentar, avaliando também o DCAD da dieta (diferença cátion – ânion), estando entre 300 e 400;


• Troca de horários no trato por períodos do dia de menor intensidade de calor;


• E o melhoramento genético voltado para estresse térmico, como o uso de gene Slick Hair, caracterizando pêlo mais liso e fino ao animal e assim melhor adaptação a ambientes quentes e de alta umidade;


Sanidade


Na época das chuvas, o desafio sanitário se torna ainda maior nas fazendas leiteiras, principalmente quando as vacas não estão alojadas em barracões (free-stall, compost barn, túneis de vento...). Normalmente tal desafio está muito associado ao barro e a alta umidade do ambiente, que são falados em muitas fazendas como o “prato cheio” para as bactérias causarem infecções. Estudos mostram o maior índice de incidência de mastite no verão em grande parte das fazendas.


É de grande importância o manejo sanitário no verão, focado em melhorias do ambiente, tanto de vacas quanto de categorias mais jovens e que tem o sistema imune mais fraco, como bezerras.

 

Um estudo que recente com parâmetro interessante é o escore de limpeza dos animais, com correlação entre práticas de manejo, limpeza dos animais e CCS.



O período chuvoso nesses estudos mostram que as vacas estavam mais sujas, mas também em alguns resultados mostraram que haviam vacas limpas em períodos de muito barro, percebemos que elas possuem um certo hábito higiênico e de forma comportamental não gostam de barro.


Medidas como vazio sanitário, manejo e rotação de piquetes, e o uso correto de instalações (bem como estando sempre limpas), são fatores sanitários fundamentais para atravessar o período do verão de forma com que potencialize os ganhos produtivos e reprodutivos das vacas leiteiras. 


Conclusão


Podemos concluir que planejar, investir e usar as ferramentas tecnológicas que temos a disposição acarretarão em resultados positivos na produção de vacas leiteiras, independentemente do nível produção, e isso se chama respeito ao animal. A correlação produção/bem estar animais é sempre positiva.  Quem vive do leite e para o leite sabe as dificuldades encontradas no período do verão nas fazendas, mas devemos enfrenta-lo da melhor maneira possível para colhermos os frutos nas próximas estações. Este texto foi feito com o intuito de ressaltar alguns pontos a levar em consideração para melhorar as tomadas de decisões no período do verão e contribuir para quem vive e/ou gosta da produção leiteira.

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